Este evento marca um momento decisivo para o sector agrário moçambicano, estabelecendo as directrizes para o ciclo 2025–2026. O discurso e as metas apresentadas pelo Presidente Daniel Chapo sublinham uma transição estratégica da sobrevivência para a competitividade.
Aqui está um resumo técnico dos principais pilares desta campanha:
1. Visão Estratégica e Eixos de Actuação
A campanha está estruturada para transformar a agricultura na "coluna vertebral" da economia, movendo-a do modelo de subsistência para um modelo de rendimento. Os quatro eixos centrais são:
Soberania Alimentar: Redução da dependência de importações e garantia de que o país produz o que consome.
Agro-industrialização: Agregar valor aos produtos primários dentro do país para gerar empregos e riqueza.
Digitalização Agrícola: Introdução de tecnologia e dados para melhorar a precisão e a eficiência no campo.
Gestão Sustentável: Foco na preservação dos recursos naturais face às mudanças climáticas.
2. Metas de Produção (2025–2026)
Os objectivos quantitativos mostram um foco claro tanto na dieta básica quanto em produtos de exportação e suporte industrial:
| Categoria | Meta de Produção | Crescimento Esperado | Observações |
| Cereais | 3,4 milhões de toneladas | +7% | Base da segurança alimentar. |
| Raízes e Tubérculos | >10 milhões de toneladas | +5% na Mandioca | Garantia de reserva calórica. |
| Castanha de Caju | 180 mil toneladas | +13% | Principal cultura de rendimento. |
| Leguminosas | 929 mil toneladas | --- | Destaque para o Feijão Manteiga. |
| Pecuária e Aves | --- | +5% Gado / +26% Ovos | Foco na proteína animal e avicultura. |
3. O Papel da Juventude e do Sector Privado
O governo identifica a Juventude e a Mulher Rural como os agentes da inovação, enquanto o Sector Privado é visto como o motor de investimento necessário para a mecanização e logística. O lançamento em Mafambisse, com o transplante de arroz e sementeira mecanizada, exemplifica a intenção de modernizar as técnicas de cultivo.
4. Desafios para a Implementação
Para que estas metas sejam atingidas até ao final de 2026, o sector precisará de superar obstáculos persistentes mencionados nas directrizes:
Acesso a Insumos: Garantir que as sementes e fertilizantes cheguem ao produtor a tempo.
Expansão da Soja: Crucial para baixar os custos da ração na produção de frangos e ovos.
Resiliência Climática: Sofala (local do lançamento) é uma zona historicamente propensa a eventos climáticos, exigindo sistemas de gestão de água robustos.
Este plano reafirma a agricultura não apenas como uma actividade social, mas como o caminho para a independência económica de Moçambique através do trabalho e da inovação.

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