Apesar do potencial de mais de 36 milhões de hectares de terra arável, apenas uma pequena fração é totalmente aproveitada. Os produtores enfrentam barreiras críticas:
Instabilidade Climática: Moçambique é um dos países mais vulneráveis do mundo às Mudanças Climáticas, sofrendo ciclicamente com secas severas (fenómenos como o El Niño) e ciclones devastadores que destroem campos inteiros.
O Desafio dos Insumos (Sementes e Fertilizantes): Como reconhecido pelo próprio Ministério da Agricultura (MAAP), o país ainda enfrenta um défice na produção interna de semente básica de qualidade, dependendo da importação excecional para cobrir as metas nacionais.
Infraestruturas e Logística: A falta de estradas transitáveis que liguem o Norte produtor ao Sul consumidor provoca enormes perdas pós-colheita. O produto apodrece no campo por falta de transporte ou de silos de armazenamento com cadeia de frio.
Acesso ao Crédito: As taxas de juro bancárias continuam proibitivas para o camponês familiar, limitando o investimento em motobombas, tratores ou fertilizantes.
5. O Caminho para o Futuro: Estratégias de Transformação
Para reverter este cenário e alcançar a tão desejada soberania alimentar, o setor agrário moçambicano está a passar por reformas estratégicas lideradas pelo Governo e parceiros:
Investigação Científica e Autonomia: Fortalecimento de instituições como o Instituto de Investigação Agrária de Moçambique (IIAM) e centros de pesquisa (como o de Arroz em Namacurra) para purificar material genético e criar sementes adaptadas ao clima local.
Transparência e Regulação de Preços: Estabelecimento de comités de arbitragem locais e fixação de preços mínimos de referência de forma consensual (como feito recentemente para o algodão, gergelim, girassol e soja) para proteger o rendimento do camponês contra a especulação.
Foco na Cadeia de Valor: Estimular o processamento local (transformar soja e girassol em óleo alimentar nacional; descaroçar o algodão internamente), gerando empregos e reduzindo a dependência de importações caras.
Visão de Síntese: A agricultura em Moçambique está a deixar de ser vista apenas como um meio de sobrevivência para ser tratada como um negócio estratégico. O desafio atual reside em fazer com que o conhecimento científico gerado nos centros de pesquisa chegue de forma prática, barata e eficaz à enxada do produtor familiar lá no distrito.

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